O “BELO” CALOU O MARACANÃ

O “BELO” CALOU O MARACANÃ – RUI LEITÃO

Na noite do dia seis de março de 1980, uma quinta-feira, fiquei ao pé do rádio para ouvir a transmissão do jogo do Botafogo da Paraíba contra o Flamengo. A partida era válida pela Taça de Ouro, o equivalente ao Campeonato Brasileiro, série A de agora. O nervosismo maior era porque o jogo seria realizado no Maracanã e o time paraibano iria enfrentar uma equipe que se mantinha invicta na competição. O receio era de que sofrêssemos uma derrota humilhante.

Foi a primeira e única vez que torci contra o Flamengo. Prevaleceu o espírito de paraibanidade. De qualquer forma nutríamos a esperança do “Belo” não fazer feio, pois vínhamos de uma vitória fora de casa contra o Náutico do Recife. Mas passava longe a ideia de que poderíamos ganhar, em pleno Maracanã, de um time que contava com jogadores como Zico, Júnior, Adílio, Andrade, Carpegiani, e treinado por Cláudio Coutinho, técnico da Seleção Brasileira.

Um público de 25.496 pagantes se fez presente ao estádio, na expectativa de ver mais uma exibição do Flamengo, que se apresentava como um dos favoritos a ser campeão daquela competição, como de fato foi. No entanto, o nosso “Belo” surpreendeu a todos. Os primeiros quarenta e cinco minutos serviram para demonstrar que não seríamos uma presa fácil, jogávamos de igual para igual. A emoção tomava conta de todos nós paraibanos e começávamos a acreditar que os prognósticos em favor do Flamengo poderiam ser contrariados. Logo aos quatro minutos, Nicácio ganhou uma bola dividida com Zico, lançou para Evilásio que distribuiu para Soares, permitindo a que o atacante paraibano fizesse o seu primeiro gol. Começava a se desenhar o maior feito da história do nosso futebol. Nem o empate conquistado aos dezenove minutos por Tita, fez com que os jogadores do nosso time se acomodassem na sensação de que aquele placar já seria um grande resultado. A vitória botafoguense se estabeleceu aos trinta e seis minutos, com um gol de Zé Eduardo.

O “Belo” calou o Maracanã naquele instante e na Paraíba só se ouvia os gritos de vibração dos que estavam, como eu, acompanhando o jogo pelo rádio na voz de Eudes Toscano pela Rádio Tabajara. Após o apito final os torcedores paraibanos foram às ruas comemorar aquele extraordinário triunfo. Como não poderia ser diferente, me integrei nessa festa da torcida. Tambaú era o cenário dessa manifestação de alegria e de orgulho do povo paraibano. E o mais importante era que aquele resultado nos colocava na condição de líder isolado do Grupo “C” da Taça de Ouro. O Botafogo fez história.

*Integra o livro REMINISCÊNCIAS, a ser lançado brevemente.

Rui Leitão

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