Há pouco mais de um século, Sigmund Freud lançou um alerta que ecoa até hoje: dentro de cada ser humano existe uma força primitiva, impulsiva e instintiva. O Id.
Segundo ele, a civilização só existe porque aprende a conter esse impulso. A educá-lo. A transformá-lo em construção, não em destruição.
O caso Epstein é a prova concreta desse aviso.
Em uma ilha cercada por luxo, influência e silêncio, os limites foram suspensos. A consciência foi desligada. O instinto assumiu o comando.
Tudo era possível.
Nada era questionado.
Carl Jung chamaria aquilo de sombra coletiva: a parte obscura da alma humana alimentada em segredo, protegida por prestígio e poder.
Dostoiévski já havia previsto esse cenário ao afirmar que, sem valores superiores, tudo se torna permitido.
Viktor Frankl, sobrevivente dos campos nazistas, demonstrou que quando o ser humano perde o sentido, busca substitutos no prazer, no domínio e no excesso.
A ilha não foi um desvio isolado.
Foi um símbolo.
O símbolo de uma cultura que confundiu liberdade com ausência de limites.
O que aconteceu ali nasceu de uma mentalidade que despreza tradição, enfraquece a família, relativiza o mal e substitui formação moral por ideologia.
De todos os espectros.
Enquanto se disputa poder, a base apodrece.
Laços se rompem.
Referências desaparecem.
A responsabilidade é terceirizada.
E quando isso acontece, o instinto governa.
Em pequena escala, destrói famílias.
Em grande escala, cria sistemas de abuso.
O alerta é claro: não se trata de política.
Trata-se de consciência.
Não se trata de ideologia.
Trata-se de caráter.
A reconstrução social não começa no Estado.
Começa no indivíduo.
Na palavra honrada.
No limite estabelecido.
No exemplo dado.
Na família fortalecida.
Freud alertou.
Jung explicou.
Dostoiévski profetizou.
Frankl confirmou.
Sem valores, o homem se perde.
Sem responsabilidade, o poder corrompe.
Sem família, a sociedade desmorona.
A ilha de Epstein é o espelho do que acontece quando uma cultura perde a alma.
Cabe a cada um decidir se continuará olhando para esse espelho ou se terá coragem de mudar o reflexo.
Alexandre Rodrigues, Observador Político


