Como compreender o papel da moral na harmonização com os costumes? Ainda mais quando na expressão humana cada vez mais se acentua um vazio de valores. Sem perceber, a sociedade está dominada por um impulso destrutivo, vivendo uma situação de frieza e desgaste das noções de fraternidade. Deus é o estimulador maior das leis que definem os princípios morais. A humanidade, no entanto, está ignorando essa verdade.
Ela está desaprendendo a medir atitudes. Revela-se um estado de selvageria que despreza o conceito de “sabedoria moral”. A lama da ignorância está nos sufocando. .Nega-se ao exercício da reflexão, insistindo em prescindir da razão.
Essa decomposição moral não se estabelece somente na individualidade humana, mas também nas instituições, onde observamos a perda de qualquer pudor, qualquer senso de razoabilidade e de respeito. Os falsos moralistas se excedem no cinismo, no escárnio, na falta de escrúpulos e decência. Estão em falta o sentido social e o senso de justiça. Há um esforço de persuasão moral como mecanismo de mudança comportamental.
A crise ética é uma constatação indiscutível. A sociedade está condenada a marchar para o abismo em decorrência da falta de consciência. Pessoas estão como que anestesiadas, pensando unicamente nos seus próprios interesses. É evidente a opção pelo individualismo. São agressores da dignidade, ferindo de morte um dos conceitos principais do que se entende como valor moral. A postura da arrogância e prepotência gerando tragédias.
Entre desalentados e estarrecidos assistimos a tudo isso em estágio de letargia, acostumando-nos com as agressões morais. Não nos assustamos mais com esse roteiro de degradação. Verifica-se a paixão humana pela transgressão. A sociedade se transformando numa verdadeira anarquia. E o que dizermos de como se comportarão as futuras gerações, que tomarão como exemplo esse modo inconsequente de vivermos?
Por Rui Leitão


