O debate político do momento na vida nacional tem revelado um clima de histeria ideológica. O mais grave é observarmos que quem mais estimula esse ambiente de conflito de pensamento político é quem deveria, por responsabilidade das missões institucionais que lhe são conferidas, buscar o estabelecimento da harmonia, da paz. Mesmo que, as divergências continuem se definindo.
Na democracia os embates políticos devem ser encarados como o exercício da capacidade de diálogo na intenção de se encontrar pontos de equilíbrio que conduzam ao atendimento do bem comum. O que mais precisamos agora é desarmar os espíritos, todos descerem do palanque, independente do pensamento ideológico que cada um possua. Inflamar os discursos, é querer jogar lenha na fogueira. E isso não é bom para ninguém.
Mas esse exemplo tem que partir dos que assumiram os elevados encargos de comandar o país. Tzvetan Todorov, na obra “Os inimigos íntimos da democracia” afirma que os maiores perigos para a democracia surgem de dentro dela própria, quando ela é desrespeitada. É o que estamos vendo atualmente no Brasil. Quem deveria agir com sensatez, provoca a animosidade.
Veículos de comunicação são transformados em panfletos para atender objetivos político-ideológicos. O judiciário, por parte de alguns dos seus agentes, deixa evidente uma sanha punitiva, que antes de se preocupar em fazer “justiça”, produz o “justiçamento”.
O protagonismo político fazendo valer o oportunismo para radicalizar no antagonismo ideológico, sem levar em conta os interesses maiores da nação. É estúpida essa histeria ideológica. O desapreço pela democracia e a apologia da violência jamais produzirão resultados positivos. O que está em jogo é muito sério. É o futuro do nosso país e a manutenção do Estado Democrático de Direito, conquistado a muito custo, depois de mais de duas décadas de uma ditadura militar.
A histeria ideológica é o fracasso do debate. Na falta de argumentos, parte-se para a apelação, o xingamento, as ofensas, na intenção de desmoralizar o antagonista. E se detem o poder, a intenção é fazer calar a voz do opositor pela força e a intimidação. As reações cegas e desvairadas, impulsionadas pela defesa de posições ideológicas, só demonstram o emburrecimento a que a irracionalidade leva as pessoas a brigarem, ao invés de exercitarem o debate com consciência cívica.





