A data do nascimento de Jesus Cristo é o dia mais importante no ocidente e também do mundo inteiro.
Logicamente, tal data, não é exatamente o dia que, realmente o nosso senhor e salvador nasceu, porém, o importante é a celebração, o agradecimento e a reflexão de todo um legado, que perdura há dois mil anos e que se estenderá para sempre tamanha a sua importância.
O mundo pôde contemplar o nascimento, a vida, a morte e a ressurreição do filho unigênito de Deus, que deixou reflexões e principalmente exemplos a serem seguidos por todos nós.
No entanto, boa parte da mensagem é descumprida trezentos e sessenta e quatro dias por ano e relembrada todo dia vinte cinco do último mês de cada ano, como se nesse determinado dia o agir diferente consertaria um ano onde o equívoco, a desobediência e o desrespeito à mensagem de quem deu-nos a vida justificasse o que passou de errado anteriormente.
O Natal tem sido utilizado para remendar o que deveria ser feito quotidianamente. É no Natal, onde as famílias se juntam, o perdão é exercido, as mensagens são escritas com maestria de simpatia, compreensão e desejos a fio.
Não seria, por ventura, como deveria ser feito com frequência o hábito do reencontrar familiar, o exercício do perdão, a simpatia doutrinária e o resto que, em nome do criador, apenas se faz uma vez por ano?
Cristo nos pediu exatamente para que fizéssemos tudo isso frequentemente com o propósito de nos aproximarmos cada vez mais do pai e de sua semelhança. O homem, na sua sagacidade mundana, preferiu de tudo fazer, para que, no natalício de Jesus, pudesse fazer o que deveria ser normal, tentando assim ludibriar o criador como se parvo fosse.
A desculpa, os erros, as ofensas proferidas, os pecados cometidos, as transgressões feitas, não podem e nunca poderão ser varridas num único dia, sendo ele especial ou não. A união familiar, o perdão, a celebração devem ser rotina e nunca exceção, pois o senhor assim nos ensinou e deu o exemplo para que isso e muito mais fossassem trivialmente executados para a evolução interior de uma sociedade que precisou ser castigada diversas vezes pelo redentor.
Tal mensagem não pode ser readaptada, rasgada, manipulada e readequada ao nosso bel-prazer, ela deve ser praticada à exaustão e sem motivo aparente, tal qual fez o senhor.
Para um Deus, que tudo vê, que tudo sabe e que tudo pode, estamos demasiadamente audaciosos em continuar no erro há dois mil anos sem tentar remediar o mau hábito de tirar um dia para tentar corrigir tudo.
Não é o presente, a foto familiar feliz, a ida à igreja ou mesmo o perdão exercido momentaneamente por desencargo de consciência, que irá justificar a falta de tempo para a família, a falta do perdão, os atos impiedosos ou a pura vaidade que nos fazem angelicais especialmente num único dia e de se auto-enganar o resto do ano.
O Natal deve ser diário, não deve haver a exclusividade do dia para agir corretamente, os ensinamentos de Jesus Cristo não podem ser conduzidos por uma vontade em dia que pouco tem a ver com seu nascimento e muito com a compulsão desenfreada do consumo criada para esse fim.
O exercício para se aproximar de nosso senhor deve ser diário e ininterrupto, não existe dia, hora ou lugar e foi assim que o pai se comportou, deixando exemplificado aos olhos do mundo.
Jesus, em sua vida missionária, jamais deu como exemplo, acordar um belo dia e virar a melhor criatura da via láctea e adjacências, distribuindo simpatia, prendas e compaixão.
Não! Jesus agia assim diuturnamente em todos os dias e hoje o 25 de dezembro está mais banalizado do que na época do Imperador Constantino, que escolheu tal dia porque era celebrada a grande festa solar em Roma.
Não há absolutamente nada que aponte para tal data, a não ser a ávida vaidade de um imperador que fez do cristianismo religião de um império à beira da ruína para satisfazer a maioria de seu povo, que já era na altura em sua maioria cristão.
Termino como sempre com uma frase e hoje, não poderia ser outra senão provérbios 21:21: “O que segue a justiça e a benevolência achará a vida, a justiça e a honra”.
Júnior Belchior


