O título do artigo não está relacionado à minha mocidade, longe disso. Os vinte e cinco anos, são referentes ao tempo em que estou militando discretamente na política.
Comecei cedo, é bem verdade. Em 1997, iniciei meu aprendizado auxiliando um assessor do meu irmão para poder aprender o ritmo das coisas. Foram meses na companhia desse mestre. Aprendi observando, de olhos vidrados em tudo que ocorria.
A princípio, não gostei muito do que via. O celular -famoso pelo tamanho na época- não parava nem pra carregar e andávamos constantemente de bairro em bairro, fazendo o trabalho de formiguinha. Aprendi “na tora”, como se diz popularmente, e, aos poucos, fui acrescentando o meu próprio estilo.
O primeiro desafio desde o início das já percorridas treze campanhas até hoje foi a da primeira disputa para a Assembléia Legislativa. Meu irmão estava como vereador e decidiu dar esse pulo, almejando o cargo de deputado – e que pulo, devo confessar.
Já com 18 anos, CNH tirada, comecei minha primeira campanha, de rua em rua, de casa em casa, de reunião em reunião. Nunca gostei do trabalho de gabinete. Eu gosto mesmo, e quem me conhece sabe, é de ter contato com as pessoas. Gosto de ouvi-las, de convence-las e, também, de aprender com cada uma delas e suas realidades.
É extremamente positiva essa interação com o povo, esse olho no olho, pra que possamos fazer bem e com a devida atenção. O primordial é ter a certeza que o seu “produto” é superior a todos os demais e, portanto, compara-lo com qualquer outro. Isso não pode nem deve ser difícil pra mim.
Durante esses 25 anos, posso dizer que vi de tudo, ouvi e tive contato com milhares de pessoas, e, em cada visita ou reunião, os problemas são diferentes, as histórias são outras e é preciso sempre se reinventar para abordar as mais diferentes pessoas, independente de classe social, credo, cor ou religião. É, de fato, um tanto quanto cansativo.
Para se ter uma ideia, antigamente eram 90 dias corridos, todo o dia e o dia todo. Porém, o cansaço é premiado no dia da apuração, quando podemos comprovar se o trabalho foi bem feito, se a estratégia bem executada e se o candidato venceu. Nesse momento você tem a sensação de que tirou um elefante dos ombros e pode finalmente sossegar, sentar e aproveitar o momento, que é indescritível.
Após cada apuração sempre vou dormir, as festividades não me atraem, pois quase sempre estou completamente exausto. Fico completamente em dissonância com as demais pessoas e o melhor é se retirar para deixar a equipe comemorar à vontade e merecidamente.
_Infelizmente nem sempre vencemos. Durante esse período perdi três vezes. Graças a Deus, nenhuma em qualquer cargo legislativo. Dessa dor o Senhor tem me poupado, seja trabalhando para familiares ou amigos. Ah, sobre “amigos”, é bom que se fale que muitos desses depois não lhe conhecem mais e a empolgação das promessas do início, são literalmente rasgadas, ficando apenas a família e o arrependimento de ter corrido para certos cidadãos , que muitas vezes nem um obrigado lhe dizem._
Quando olho para trás, vejo o quanto já percorri, o quanto já andei, quantas residências já entrei, quantas comunidades adentrei, quantas dificuldades e perigos passei. Já saí de algumas comunidades literalmente no meio de um tiroteio entre facções e já entrei em outras onde a polícia já lá estava. Nunca tive medo. Parto do princípio que não vou fazer mal a ninguém e, por isso, não há motivos para acontecer alguma coisa -mas sabemos que nem sempre é assim.
Muitos perguntam-me se depois desses longos anos, não seria melhor ficar numa salinha coordenando as atividades e dar lugar para alguém mais jovem, a resposta é sempre negativa.
Os coordenadores são essenciais, eu também sigo as mesmas ordens, mas verdadeiramente nunca quis ser um, pois gosto é de andar, de ouvir, de estar com as pessoas e, principalmente, de ter a certeza que estou pedindo o voto na ponta, e não abro mão de o fazer, para que não aconteça nenhum erro, coisa que para qualquer iniciante desavisado seria absolutamente normal.
Concluímos recentemente a décima terceira campanha, com o mesmo empenho da primeira, com a mesma vontade do início, com a mesma garra presente em todas as outras, percorrendo cerca de 200km diários em João Pessoa, para que, ao final, o esforço viesse a ser recompensado ao ver a alegria dos iniciantes, do candidato e da família.
Essa emoção é extraordinária, singular e pessoal. É através dela que passa um filme em nossa mente, recapitulando dificuldades, provações e muita correria.
Setenta e duas horas antes do pleito, o sono já não vem, o corpo já está bastante dolorido e a mente cheia de preocupações. Você começa a sentir dúvida se fez tudo corretamente ou se poderia ter feito mais. Fato é que nada sairá com total perfeição, mas sempre com grande dedicação.
As duas perguntas que sempre me fazem são se vou ser candidato um dia e quando irei parar. A primeira tem resposta fácil e bastante simples. Diferente do passado, não tenho qualquer interesse em ser candidato a absolutamente nenhum cargo eletivo, a não ser que houvesse um chamado irrecusável do grupo por algum motivo.
A segunda por sua vez, está cada dia mais próxima. É muito tempo, o corpo já não obedece, a mente já não aguenta tanta pressão, a rotina não muda e o crédito nunca é suficiente, pois muitas vezes temos que agir rapidamente sem notificar o candidato. E aí é que vem a rebordosa. Você fez o certo, mas, na cabeça do candidato, nunca será, e com isso 99% não é 100%. Isso, por si só, já é motivo para reclamações, insatisfações e autocobrança, inclusive.
Poderá essa ter sido a última ou quem sabe a penúltima eleição. A realidade é que está bem perto disso acontecer. É preciso consignar, entretanto, que fiz uma promessa para comigo mesmo: que só pararia quando meu irmão fosse prefeito – e essa é a meta que hoje faz eu continuar na peleja.
Que Deus continue abençoando nossa corrida em direção aos nossos alvos. Afinal, como diria São Paulo, “não corro sem objetivo nem luto como quem dá golpes no ar” (1 Coríntios 9:26). Missão dada deve ser sempre missão cumprida.


