Valho-me, como metáfora, de um provérbio francês que diz: “Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos”, para fazer uma reflexão sobre o momento político que estamos a enfrentar no Brasil. Não havia intenção de “quebrar os ovos” da forma como aconteceu no domingo passado em Brasília. Foi um incidente que causou, num primeiro momento, apreensões e preocupações. Todavia, há outro ditado popular, bastante conhecido, que afirma: “Não há mal que não traga um bem”.
Os ativistas da extrema direita que atacaram as sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, com propósito deliberado de provocar o caos social, pode ser, por analogia, interpretado como “a quebra dos ovos”. A intenção era fazer com que o fato produzisse efeitos bem diferentes do que na normalidade pudessem se efetivar. Porém “o tiro saiu pela culatra”.
Os ovos quebrados terminaram por oferecer a oportunidade de se preparar “uma omelete”. O importante foi, em tempo hábil, ter havido competência para fazer com que o desastre se convertesse numa ação positiva. A sabedoria de aproveitar os ovos quebrados para atendimento de interesses coletivos. A democracia, no sentido figurado, considerada como a “omelete”.
Os vândalos que quebraram os ovos terminaram por permitir aos democratas fortalecer suas lutas na consolidação do Estado de Direito. Objetivos que serão atingidos, após estágios de sacrifício ou de ameaça de perdas, superando, com habilidade e responsabilidade, uma crise deliberadamente construída.
Lula saiu muito mais fortalecido do episódio. Agora está sendo eficiente na preparação da “omelete”. Os que “quebraram os ovos” saíram rotulados como “vândalos, terroristas, criminosos”. Imaginavam que os “ovos quebrados” não seriam mais úteis. Enganaram-se. Deram condições para que a “omelete” pudesse ser feita, alimentando os que têm fome de justiça social. Vão ficar nos assistindo saborear a “omelete”. Quem conhece a receita de como preparar uma “omelete”, nunca vai desanimar porque outros “quebraram os ovos” com intenções de causar prejuizos. Quem teme encarar problemas não é bem sucedido em suas empreitadas. Toda ação, ainda que negativa, condiciona uma reação que pode se afirmar positiva. Basta que prevaleça o bom senso e a capacidade de produzi-la.
Mas é preciso que saibamos fazer bom proveito dessa “omelete”, com o cuidado de não desperdiçá-la e degustá-la pacientemente. Viva a democracia.
Fonte: Rui Leitão



