Gostaria de me dirigir de forma respeitosa ao Presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva.
Primeiramente, Presidente, dizer-lhe, que não é exclusividade do senhor, na presidência brasileira, a vociferar frases imperdoáveis. Faço esta pequena observação, para que, não fique parecendo nada pessoal.
Lembro-me bem da frase completamente dantesca, que o digníssimo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, disse certa vez. Chamando professores de “coitados” e disse: “Quem não tem capacidade para virar pesquisador, vira professor.” Resumidamente chamou toda uma classe de burra, o que é imperdoável.
O dileto ex-presidente Jair Bolsonaro, no ápice da pandemia, após pergunta de uma jornalista, bradou: “Eu não sou coveiro”, outra frase imperdoável.
A ex-presidente Dilma eu não conseguirei citar as dezenas de frases imperdoáveis da mesma, pois até cachorro com criança esta senhora confundiu.
Já vossa excelência, nos agraciou com a seguinte pérola: “A OMS sempre afirmou que na humanidade deve haver 15% de pessoas com algum problema de deficiência mental. Se esse número é verdadeiro, e você pega o Brasil com 220 milhões de habitantes, significa que temos quase 30 milhões de pessoas com problema de desequilíbrio de parafuso. Pode uma hora acontecer uma desgraça”.
Data vênia, senhor Lula, o senhor não sabe o que é isso, o senhor não sabe da missa um terço e graças a Deus por isso, peço a Deus para que o senhor nunca tenha uma depressão severa ou um ataque de pânico, o senhor nunca mais iria repetir tamanha excrescência.
Tenho depressão severa, transtorno de ansiedade e TDAH, tenho três filhos com transtorno do espectro autista, TDAH e dislexia. Nenhum deles possuí qualquer parafuso a mais ou a menos, muito pelo contrário, em determinados temas eles são capazes de lhe dar aula e digo isso com a maior tranquilidade do mundo.
Não tenho problema em expor minha vida, inclusive aproveito a oportunidade para incentivar pessoas com o mesmo tipo de problema a procurar ajuda, pois isso, não é vergonha, vergonha é ter esse seu pensamento arcaico, desagregador e abominável.
Faço terapia senhor presidente, com a excelente doutora Patrícia Mariz, vou ao psiquiatra no também excelente doutor Léo Abreu. Inclusive, recomendo-lhe a fazer terapia, o senhor vai ver como é uma maravilha e ainda pode curar certos vícios.
É com esse parafuso a menos, que vossa excelência se referiu, que sustento medicações caras há quase 20 anos e minha inteligência não foi afetada, muito menos minha memória, que pelo respeito ao cargo que vossa excelência exerce, vou me abster de usá-la.
Desafio o senhor a me apontar alguma pessoa, que tenha qualquer tipo de problema de qualquer natureza por vontade própria. Ninguém, gasta uma fortuna em remédios e tratamentos por quase 20 anos por puro prazer ou brincadeira.
Infelizmente sua fala fora de hora, apenas serviu para aumentar o preconceito, ao invés de incentivar e acolher as pessoas, que infelizmente sofrem de algum problema dessa natureza.
A sua frase descabida, irá afugentar ainda mais pessoas a procurarem ajuda médica, o senhor quase criou um apartheid psicológico nesse país.
Tenha consciência, que não foi Luís Inácio, que disse esse besteirol, é o Presidente da República.
Presidente, quero acreditar que seu pedido de desculpas tenha sido verdadeiro e não circunstancial ou apenas político e aproveito, para pedir que vossa excelência estude o assunto, apoie e crie políticas públicas para as pessoas que não podem se tratar, passem a poder.
Sua excelência, deveria era determinar, que o SUS passe a oferecer esses medicamentos gratuitamente para quem não tem condições de comprá-lo, não é o meu caso, mas eu não consigo olhar só para mim, e sim para a coletividade.
Infelizmente, faltou coragem a pessoas, que conheço em Brasília, de usar da palavra ou soltar uma nota repudiando a frase imperdoável, dita pelo senhor na reunião com os governadores. Porém, eu consigo ser vítima de covardia, mas não consigo eu mesmo me acovardar.
Termino, pedindo a Deus para que o seu mandato seja bom para o povo brasileiro, que acreditou no senhor, eu não faço parte do grupo do quanto pior melhor, eu quero ver um Brasil avançando, eu quero que o Brasil dê certo e o respeito é um bom começo.
Ia me esquecendo senhor presidente, na verdade, sempre termino com uma frase e hoje, escolhi pela primeira vez, uma de minha autoria.
“Se o inferno for pior que uma crise de pânico, comece urgentemente a orar”.
Por Júnior Belchior



