Em certas situações do quotidiano a vida nos afasta de determinadas rotinas e de certas pessoas, pessoas essas, que, nos tornamos próximos ou até íntimos.
Essa aproximação, pode ocorrer no trabalho, na escola, num relacionamento ou aonde sua imaginação alcançar. A proximidade é, na verdade, um contrapeso, ela só é dada a alguém ou à alguma coisa, em detrimento de outras, existe um certo limite numérico, que nos faz agir dessa maneira mesmo que inconscientemente.
Durante o tempo de maior aproximação, geralmente você é tratado e trata de forma íntima, pessoal e sempre da melhor forma possível, passa a existir ali uma comunhão de pensamentos e atitudes.
O grande problema é quando, por alguma razão, você precisa se afastar para resolver outros assuntos e o que era intimidade vira automaticamente superficial, lhe levando a se questionar, o que está havendo com aquela pessoa cuja parte de sua prioridade residia em você.
Passei a analisar com certa tristeza esse tipo de comportamento dúbio, que o tempo faz com algumas pessoas cujo DNA, muito provavelmente, é mais parecido a de um camaleão.
Os verdadeiros amigos ficam, não importa o tempo, a distância, o comportamento ou a falta dele, o fato é que amigo de verdade, não esquece a sua amizade por questões sazonais e de ausência repentina.
Amigos e pessoas onde houve relacionamento íntimo que possuem caráter retilíneo, conduta séria e que não sofre de uma mistura de molecagem com mau-caratismo jamais passa a desconhecer quem um dia foi próximo, inclusive ajudando em situações belicosas.
Tenho me referindo à amizade, mas esse fenômeno não é exclusividade dela, também ocorre com muita frequência em relacionamentos outros, se é que me fiz entender.
Inexplicavelmente passamos de uma pessoa muito próxima para uma extremamente desconhecida e com um novo tratamento chamado INDIFERENÇA, o que nos faz repensar se o tempo foi perdido ou serviu de aprendizado para o futuro.
O fato é que esse tipo de fenômeno interpessoal é das coisas mais estranhas, que já senti na vida, é algo lamentável que nos deixa completamente atônitos com determinado comportamento.
É de se lamentar com bastante ênfase que outrora servíamos para quase tudo e que por um afastamento necessário, passamos a não servir para absolutamente nada.
Termino como sempre com uma frase sobre o tema e hoje, ao dissertar sobre o mesmo, me veio à memória a frase do poeta, jornalista e historiador Mário da Silva Brito, que diz: “Certos amigos dispensam-nos de ter inimigos”.
Júnior Belchior



