Sexta-feira, 01 de Maio de 2026
logo
  • Destaques
  • Pombal
  • São Bento
  • Política
  • Brasil
  • Policial
  • Colunistas
    • Colunista Gustavo Moreira
    • Colunista Heron Cid
    • Colunista Junior Belchior
    • Colunista O Introspectivo
    • Colunista Rui Leitão
    • Colunista Sidharta Neves
  • Contato
logo
  • Destaques
  • Pombal
  • São Bento
  • Política
  • Brasil
  • Policial
  • Colunistas
    • Colunista Gustavo Moreira
    • Colunista Heron Cid
    • Colunista Junior Belchior
    • Colunista O Introspectivo
    • Colunista Rui Leitão
    • Colunista Sidharta Neves
  • Contato

Pai – Júnior Belchior

Publicado em: 25 de julho de 2023 por Redação
COMPARTILHAR
Facebook
Twitter
Pinterest
Whatsapp
Whatsapp
Pai – Júnior Belchior

Apesar dos mais de vinte anos, que meu pai falecera, nunca escrevi nada sobre o assunto, apenas deixei o sentimento da falta imergir e devastar meu psiquê.

É bem verdade, que a morte é inevitável e temos que aceitá-la de qualquer maneira. O que me deixou atônito, não foi a mera morte de um pai que faz tremenda falta por tudo que representava, mas sim como tudo ocorreu.

Eu ainda não tinha vinte e um anos, quando aconteceu o que parecia evitável. Apesar de ter algumas doenças graves, como diabete, insuficiente renal e cardíaca, meu pai tinha recursos para realizar o tratamento que quisesse onde quisesse, o problema foi não o querer.

Papai, tinha cinquenta e cinco anos, quando veio a óbito (bastante jovem, podemos dizer) e eu vinte anos. Ainda hoje recordo-me de várias conversas entre família tentando fazer com que o mesmo fosse se tratar nos melhores hospitais e com os melhores médicos que o mundo dispunha.

No entanto, a depressão já estava dominando suas vontades e iniciativas e ele, com a inteligência que lhe era peculiar, recusava tratamento alegando que não queria usar seus recursos para tal.

Na época eu não estava interessado em tal sacrifício, cheguei inclusive a argumentar que o importante seria a restauração da sua saúde e que isso faria com que ele ainda tivesse um bom tempo para recuperar o gasto para tal, porem, devido à depressão ele não se dobrava a essa tese. Ele simplesmente não queria mais viver.

Tal manifestação, caiu como um uma bomba na minha cabeça e certamente na de todos os meus irmãos que testemunharam tal frase. Não é fácil, aos vinte anos, você ouvir da boca de um pai, que ele não quer mais viver, ou seja, não quer mais saber das consequências desse ato na vida dos seus.

A situação foi tão difícil, que foi naquele momento que via na cara dos meus irmãos o lagrimejar do caos anunciado. A sensação de impotência era devastador em todos nós.

Nesse ponto, papai já estava morando com meu irmão mais velho e eu no edifício ao lado com meu irmão mais novo. Recebi a notícia de seu falecimento da forma mais abrupta possível, o motorista por volta das cinco da manhã deu um grito em direção à minha janela dizendo: “Júnior, se arruma que ligaram para dizer que seu pai morreu”. Sinceramente não poderia haver pior maneira de ouvir o que nenhum ser humano deseja.

Fomos eu e meu irmão até ao hospital e lá adentrei na “pedra” local onde fica o corpo para ser limpo e vestido para consumar o velório e o sepultamento.

Confesso, que nunca vi imagem mais dolorida que aquela, seu herói, completamente desnudo na pedra fria, completamente morto. Naquele momento, o mundo acabava de parar seu movimento de rotação e translação.

Ao sair daquela situação, fomos escolher o caixão, coisa que também não é fácil, mas era necessário o fazer e assim o fizemos.

Então o velório começou, muitas pessoas se fizeram presente, o padre falou, o afilhado de papai também fez questão de ler um trecho bíblico e logo em seguida fomos sepulta-lo.

Enquanto o caixão descia, as lágrimas escorriam na face a cada duas até molhar parte da camisa, com que eu estava. É nesse momento, que você começa a sentir parte da ficha cair e um filme vai passando lentamente na sua mente já em frangalhos.

É impossível, não questionar a Deus nesse momento, mas hoje, com calma, tempo e reflexão, tento encarar tal acontecimento como, além de inevitável, vontade absoluta de nosso pai eterno, pois nenhuma folha cai da árvore sem o seu consentimento.

Ao retornar para casa, a outra parte da ficha começa então a cair e você se dá conta, que o amparo e proteção de ter um pai se findara naquele momento, você passa a não mais contar com a certeza que o amanhã não está mais garantido como antigamente e que seu herói partira.

Vinte e poucos anos depois, ainda há dias que me lembro dos momentos de alegria e até os de tristeza que tivemos juntos, até de apanhar você sente falta.

A verdade é que nunca me recuperei daquele dia, que fui acordado aos gritos, avisando que meu pai havia morrido e que a partir do mesmo dia, a vida iria começar a ficar dezenas de vezes mais difícil.

A morte de meu pai, nunca foi de fato concluída por mim, parece que estou esperando uma volta dele do trabalho e isso é além de uma tortura uma sensação de se auto-enganar, imaginando algo que nunca irá acontecer.

Hoje, ele completaria setenta e nove anos, idade ainda possível para que estivesse vivo, não fosse a vontade de um Deus, que tudo sabe, que tudo vê e que tudo pode.

A vontade do senhor foi consumada, não existe e nem pode haver questionamentos a um Deus que deu seu filho unigênito por todos nós.

Término como sempre com uma frase, e hoje escolhi uma, que ouvi algumas vezes pelo meu pai e nunca a esqueci: “O que vale na vida, é a vida que se leva”.

Obrigado Pai, por cada ensinamento, cada palavra e por cada momento que pudemos estar juntos.

Júnior Belchior.

Compartilhe

Mais Notícias

  • Nabor: Republicanos cobrará, a filiados, ‘alinhamento’ e voto na chapa governista

  • Mãe denuncia falta de bebedouro adequado na Escola Vida Nova e pede visita da gestão em Pombal

  • Gilbertinho é cotado para assumir comando político da 13ª Regional de Educação em Pombal

Mais lidas

Variedades 19 de março de 2020

Estudo: Coronavírus não foi criado em laboratório

Colunista Joaci Júnior 8 de fevereiro de 2021

Uma estrela ainda mais solitária!

17 de outubro de 2019

Correio Braziliense destaca trabalho de Ruy por Médicos pelo Brasil

logo

Menu

  • Política de privacidade
  • Contato
  • Brasil
  • Colunistas
  • Paraíba
  • Policial
  • Política
  • Variedades

Mais acessadas

Variedades 19 de março de 2020

Estudo: Coronavírus não foi criado em laboratório

Colunista Joaci Júnior 8 de fevereiro de 2021

Uma estrela ainda mais solitária!

17 de outubro de 2019

Correio Braziliense destaca trabalho de Ruy por Médicos pelo Brasil

Institucional

  • Anuncie :
    [email protected]
Copyright © 2026 Política Paraibana. Todos os direitos reservados.
Logo Visual Midia
Usamos cookies em nosso site para fornecer a experiência mais relevante, lembrando suas preferências e visitas repetidas. Ao clicar em “Aceitar”, você concorda com o uso de TODOS os cookies. No entanto, você pode visitar "Configurações" para fornecer um consentimento controlado.
ConfiguraçõesAceitar
Gerenciar consentimento

Visão geral da política de privacidade

Este site usa cookies para melhorar a sua experiência enquanto navega pelo site. Destes, os cookies que são categorizados como necessários são armazenados no seu navegador, pois são essenciais para o funcionamento das funcionalidades básicas do site. Também usamos cookies de terceiros que nos ajudam a analisar e entender como você usa este site. Esses cookies serão armazenados em seu navegador apenas com o seu consentimento. Você também tem a opção de cancelar esses cookies. Porém, a desativação de alguns desses cookies pode afetar sua experiência de navegação.
Funcional
Os cookies funcionais ajudam a realizar certas funcionalidades, como compartilhar o conteúdo do site em plataformas de mídia social, coletar feedbacks e outros recursos de terceiros.
Performance
Os cookies de desempenho são usados ​​para entender e analisar os principais índices de desempenho do site, o que ajuda a fornecer uma melhor experiência do usuário para os visitantes..
Analytics
Cookies analíticos são usados ​​para entender como os visitantes interagem com o site. Esses cookies ajudam a fornecer informações sobre as métricas do número de visitantes, taxa de rejeição, origem do tráfego, etc.
Publicidade
Os cookies de publicidade são usados ​​para fornecer aos anúncios anúncios e campanhas de marketing relevantes. Esses cookies rastreiam visitantes em sites e coletam informações fornecer anúncios personalizados.
Outros
Outros cookies não categorizados são aqueles que estão sendo analisados ​​e ainda não foram classificados em uma categoria.
Necessário
Os cookies necessários são absolutamente essenciais para o funcionamento adequado do site. Esses cookies garantem funcionalidades básicas e recursos de segurança do site, de forma anônima.
SALVAR E ACEITAR