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Papa: Lula quer debater redução da fome e desigualdade

Fome e desigualdade — O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reúne hoje, no Vaticano, com o papa Francisco I. Segundo apurou o UOL com fonte ligada ao partido, Lula deve propor conversas relacionadas a temas como a redução da fome e da desigualdade. Até a noite de ontem, o horário do encontro não havia sido confirmado.

Na última semana, o petista já havia revelado, por meio das suas redes sociais, que gostaria de debater “a experiência brasileira no combate à miséria”. O teor da conversa, no entanto, conforme apurou o UOL, deve ser conduzido por Francisco, posto que partiu do pontífice o convite para o encontro.

Há, ainda, especulações de que o lawfare, termo que indica a ocorrência de disputas políticas travadas por meio do Judiciário, esteja na pauta.

A reunião entre Lula e Francisco só foi possível após uma decisão da Justiça Federal do DF, que adiou um depoimento que o ex-presidente iria conceder no âmbito da Operação Zelotes — inicialmente marcado para o último dia 11, data de sua viagem à Europa.

O juiz Ricardo Augusto Soares Leite autorizou, e a audiência foi remarcada para o dia 19. Lula retorna ao Brasil no sábado (15).

O encontro foi intermediado pelo recém-eleito presidente da Argentina, Alberto Fernández. No final de janeiro, os dois se encontraram e conversaram por quase uma hora.

Não se sabe, por exemplo, se Lula e Francisco conversarão sobre a Amazônia — o bioma tem sido pauta recorrente dentro da Igreja Católica e foi o tema central do Sínodo da Amazônia, realizado em outubro passado.

O Sínodo especial (tipo deste evento que trata de uma região específica) foi anunciado em 2017 por Francisco. A reunião serve como ferramenta para o papa consultar e observar debates sobre o tema de modo a elaborar um material para dar diretrizes ao clero.

Ontem, o papa publicou uma “exortação” (espécie de documento onde orienta os fiéis) no site do Vaticano citando o documento “Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e para uma Ecologia Integral”, elaborado após o encontro.

“O nosso é o sonho duma Amazônia que integre e promova todos os seus habitantes para poderem consolidar o “bem viver”. (…) Pois, apesar do desastre ecológico que a Amazônia está a enfrentar, deve-se notar que uma verdadeira abordagem ecológica sempre se torna uma abordagem social, que deve integrar a justiça nos debates sobre o meio ambiente, para ouvir tanto o clamor da terra como o clamor dos pobres”, diz um trecho do primeiro capítulo da exortação, chamada pelo papa de “Querida Amazônia”.

No texto, o papa também critica governos que se arvoram em argumentos como o de “não entregar a Amazônia”.

“Para aumentar esta confusão, contribuíram alguns slogans, nomeadamente o de “não entregar”, como se a citada sujeição fosse provocada apenas por países estrangeiros, quando os próprios poderes locais, com a desculpa do progresso, fizeram parte de alianças com o objetivo de devastar, de maneira impune e indiscriminada, a floresta com as formas de vida que abriga”, escreve Francisco.

Fonte: UOL

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