“Há, também, graves evidências de que o grupo — notadamente pelos integrantes que compunham os núcleos político e administrativo — valia-se de práticas de coerção para inibir aqueles que eventualmente se opusessem a seus propósitos delituosos. Apurou-se por meio das informações e documentos apresentados por Daniel Gomes da Silva (anexo 51 do processo original) que a cúpula da organização, notadamente Ricardo Coutinho e seu irmão Coriolano, contratou uma empresa de inteligência e contrainteligência, a TRUESAFETY CONSULTORIA, INTELIGÊNCIA E CONTRA INTELIGÊNCIA EMPRESARIAL LTDA., (CNPJ 12.586.063/0001- 50) para fazer levantamentos e produzir dossiês, contendo dados como local de moradia, nome de filhos, a escola, entre outros, para serem usados em caso de ameaças aos interesses do grupo. Há indícios de que esses dossiês foram de fato produzidos, a pedido do ex-Governador Ricardo Coutinho e de Waldson de Souza, com dados de alguns Conselheiros e Auditores do Tribunal de Contas do Estado, nomeados por adversários políticos, para reverter dificuldades encontradas no Órgão de fiscalização”, revela o parecer.
PGR

“A atualidade dos fatos também é confirmada pelo fato de o grupo criminoso comandado por Ricardo Coutinho continuar agindo no governo de João Azevêdo, que assumiu em 2019, por meio da indicação dos seus agentes para compor a cúpula da nova administração. O envolvimento do novo Governador com o grupo criminoso é objeto de investigação específica que tramita no Superior Tribunal de Justiça. Ante o exposto, manifesta-se o Ministério Público Federal pelo não conhecimento da impetração”, conclui.






