Acompanho futebol desde os meus sete ou oito anos e vi verdadeiros gênios jogarem nesses quarenta e três anos de vida. No entanto, confesso que nunca havia visto um desperdício de um dom tão latente como o de Neymar.
Joguei futebol em Portugal, fui federado e, em determinado momento, não podia mais representar minha escola, pois já era considerado profissional. Treinava diariamente à noite e jogava aos domingos durante quase 8 anos seguidos. No momento de migrar para um clube da primeira divisão, meu pai não permitiu, mas isso é assunto para outra coluna, quem sabe a próxima.
Não vou me qualificar, até porque não é de bom tom, mas quem viu poderá fazê-lo com propriedade e isenção. Logo, sinto-me tranquilo para discorrer algumas linhas sobre a última joia brasileira da atualidade.
Neymar apareceu no Santos, sendo referendado por todos os seus treinadores como um jogador fora de série, diferenciado, gênio, a estrela maior de uma geração completa. E assim aconteceu quando ele se profissionalizou no Santos.
Neymar Junior, de fato, tinha técnica extraordinária, drible sensacional, era veloz e praticamente ambidestro. Um jogador muito acima da média. Podemos conferir isso no Santos e no Barcelona, o time catalão da Espanha, por onde o jogador passou.
O jovem da Vila Belmiro era sensacional, ao lado de Messi e do extraordinário treinador Guardiola, ganhou títulos, reconhecimento, fez fortuna e brilhou em várias ocasiões.
O menino Ney ainda não era um Cristiano Ronaldo ou um Messi, mas já era possível ver que, com vontade, foco, treinamento e boa preparação física, se igualaria aos dois astros do futebol mundial.
Tinha tudo para subir a fasquia, mas no momento de fazê-lo, o ainda jovem jogador trocou tudo isso por mais algumas centenas de milhões de reais e rumou para o clube francês PSG, recém-adquirido por um multibilionário árabe, cuja promessa era ganhar uma Champions League, o que nunca aconteceu.
O brasileiro sabia que estava trocando um dos maiores clubes de futebol do planeta por outro mais modesto e de campeonato bastante inferior tecnicamente. É verdade que Neymar sofreu várias lesões nesse período, mas um jogador profissional está preparado para tais acontecimentos, pois é praticamente impossível não sofrer alguma lesão durante uma carreira futebolística.
Neymar decepcionou no PSG, tornou-se coadjuvante do atacante francês Mbappé e foi recentemente vendido a pedido do campeão do mundo pela França em 2018.
O gênio estava sucumbindo. As expectativas doravante criadas naufragaram, tanto na seleção brasileira quanto no seu clube e no lado pessoal. Neymar deixou o profissionalismo dos grandes jogadores para poder ter amigos morando com ele (parças), as noites festivas, as baladas incríveis e as mulheres que, porventura, queriam apenas “curtir” ou se gabar de terem saído com ele.
Enquanto isso, seus concorrentes, casados, com filhos e focados nos treinamentos, ganhavam títulos atrás de títulos e também faziam fortuna.
Enquanto o céu esportivo desabava, sua conta bancária não parava de crescer e seu futebol diminuía. Os supostos concorrentes a melhor jogador do mundo, Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, continuavam ganhando bolas de ouro atrás de bolas de ouro, e o talentoso brasileiro apenas assistia sem esboçar nenhuma reação aparente.
Na seleção brasileira, onde deveria ser o comandante e protagonista, fez apenas o trivial: ganhou uma Copa América (num continente onde apenas duas seleções são favoritas), uma Copa das Confederações e pouco mais. Seus concorrentes diretos venceram uma Eurocopa e uma Copa do Mundo. O caso do português CR7 foi literalmente tirar leite de pedra, vencendo uma Eurocopa na França da própria seleção francesa.
Hoje, aos 31 anos, Neymar dá um novo passo rumo à decadência esportiva, saindo da Europa para jogar no ainda fraco futebol árabe, anulando completamente as chances de se tornar o melhor jogador do mundo, pelo menos uma vez na vida. Seu potencial seria para três ou quatro bolas de ouro com alguma tranquilidade, visto que seus concorrentes diretos já estão perto da aposentadoria, e ele ainda está no auge, levando em conta a longevidade dos dias atuais.
Neymar não poderá se queixar de não ter tido talento, oportunidades e torcida para se tornar um ícone do futebol mundial. Mas preferiu os bilhões de reais, que seus rivais também têm, a entrar para a seleta lista dos melhores jogadores de sempre do futebol brasileiro e mundial.
As futuras gerações, ao perguntarem quem foi Neymar, terão uma resposta simplória e insignificante para tamanho dom desperdiçado. “Neymar foi uma espécie de cometa, de quem todos esperavam muito para vê-lo brilhar, mas que aos poucos virou um meteoro, para o dom que Deus lhe deu”.
Assim será a resposta que as futuras gerações terão dos anais da história e de quem, como nós, viu um grande talento não se concretizar. Enquanto isso, Messi será comparado a Maradona, Cristiano Ronaldo a Eusébio e Neymar a Neymar.
Termino sempre com uma frase, e hoje escolhi uma do padre Fábio de Melo: “Você é quem decide o que vai ser eterno em você, no seu coração. Deus nos dá o dom de eternizar em nós o que vale a pena e esquecer definitivamente aquilo que não vale”.
Por: Júnior Belchior


