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Verdade depressiva – Júnior Belchior

Publicado em: 21 de janeiro de 2024 por Redação
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Verdade depressiva – Júnior Belchior

Conhecida como a doença do século, a depressão tem caminhado a passos largos para episódios horripilantes na vida de quem sofre desse mal.

Infelizmente, não é incomum vermos notícias de gente que sofre, dar cabo à sua própria vida num ato de desespero e sofrimento inimaginável aos olhos de quem graças a Deus nunca a teve de maneira severa.

Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas, de todas as idades, sofram com esse transtorno. A depressão é a principal causa de incapacidade em todo o mundo e contribui de forma importante para a carga global de doenças. No Brasil, estima-se que, 5,5% da população sofra com tal doença, portanto, estamos falando que, em torno de 11 milhões de pessoas sejam portadoras desse mal oficialmente no nosso país.

Logicamente, estamos falando de dados oficiais, a realidade é muito maior, o número de pessoas, que em silêncio convivam com tamanho revés, é estimada pela organização mundial de saúde, como no mínimo três vezes mais, ou seja, um número aproximadamente de 15% da população brasileira, o que equivale a 30 milhões de pessoas, número assustador.

Outro dado preocupante vem da “Opas” que, em seu relatório de junho de 2020, apontou um crescimento de 32% nos diagnósticos de transtornos de ansiedade e 35% de depressão.

O mais grave, triste e revoltante, vem agora, caso o leitor esteja lendo a quem vos escreve de pé, sente-se por gentileza. 8 em cada 10 pessoas com problemas graves de saúde mental, ou seja, 80%, não tiveram acesso adequado a tratamentos necessários durante o ano de 2020. É o que aponta o relatório Uma Nova Agenda para a Saúde Mental na Região das Américas, divulgado nesta sexta-feira (9), pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Os dados fizeram a entidade pedir para que os líderes de cada país das Américas coloquem a saúde mental no topo de prioridades de suas respectivas agendas de governo, o que nunca aconteceu e talvez nem aconteça, afinal de contas, enquanto o problema estiver no vizinho, está ótimo.

É urgente uma mudança cultural acerca das doenças mentais, não é mais admissível que, quem frequente um psicólogo ou psiquiatra seja taxado de louco, doido ou improdutivo por uma questão de saúde que, não tem só a ver com o psiquê mas também com um lado fisiológico.

O depressivo não é depressivo por opção, não acordou um belo dia, olhou no espelho e disse “hoje vou virar depressivo e ansioso”, isso é uma ideia do tempo jurássico, as pessoas que, debocham, recriminam ou enchem a boca de inúmeras besteiras e inverdades estão fazendo um desfavor à sociedade e jogando ao limbo seres humanos com problemas psíquicos e fisiológicos com tratamento totalmente possível atualmente.

Não existe improdutividade, preguiça ou falta de vontade na depressão, o que existe é uma doença que paralisa, desmoraliza e agiliza a falta de vida social em todas as vertentes.

Na idade média, a igreja católica e outras denominações, ao se depararem com tais pessoas, as expurgavam da sociedade, excluídas, abandonadas e, em casos mais graves, queimavam-nas na fogueira com a desculpa de estarem endemoniadas ou serem adeptas da bruxaria.

Ataques de pânico também eram motivo para o embarque a uma morte terrível por puro desconhecimento e atualmente, passados quase 500 anos de tais acontecimentos, só não estão levando essas pessoas ao crematório, mas a vergonha, o desprezo, o preconceito e a exclusão continuam o mais rápido possível.

A depressão tem que ter um olhar governamental mais forte, os CAPS não bastam, são apenas um local para jogar as pessoas e os problemas em amontoado que não trata ninguém, apenas oferecem um paliativo quase desumano a quem não tem condições para os consultórios de luxo ou as clínicas que mais parecem um hotel cinco estrelas.

Não sei se estamos longe ou perto do dia que algum governo ou político compre essa briga de dar um tratamento adequado e o valor merecido a quem por ventura necessite de tratamento e não de exclusão, mas o fato é, que na maioria dos municípios brasileiros, isso é tratado como resto, resto de orçamento, apenas para abafar o problema.

Enquanto pouco ou nada é feito, oremos por aqueles que não conseguem sequer a medicação para atenuar um sofrimento inimaginável, recriminatório e perverso.

Termino sempre com uma frase e hoje escolhi uma conforme o tema do escritor Augusto Cury. “Nunca despreze as pessoas deprimidas. a depressão é o último estágio da dor humana”.

Por  Júnior Belchior

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