Testemunha relata entrega de dinheiro — Em depoimento prestado ao GAECO na condição de testemunha, Weber Júlio Paiva Vasconcelos, um dos fornecedores de campanha eleitoral do PSB, que esteve no Rio de Janeiro para receber de Leandro Nunes pagamento de cerca de R$ 197 mil pelos serviços prestados, relatou a entrega do dinheiro oriundo de propina e disse que temeu ser alvo de emboscada e assassinado pela Organização Criminosa. A movimentação de Leandro com o dinheiro, recebido em uma caixa de vinho, foi revelada em reportagem nacional do Fantástico.
Weber foi apenas um dos fornecedores pagos por Leandro Nunes com dinheiro de corrupção desviado da Saúde e Educação pela organização criminosa chefiada por Ricardo Coutinho. Ele não sabia a origem criminosa do dinheiro.
Preso na segunda fase da Operação Calvário, Leandro Nunes, então assessor do Governo do Estado, lotado no gabinete da secretária Livânia Farias, contou às autoridades tudo, ou grande parte do que sabia sobre o escândalo de corrupção e desvio de recursos púbicos através da Organização Social Cruz Vermelha, em hospitais paraibanos.
Pressionado, Leandro admitiu ser ele mesmo o homem flagrado pelas investigações do Ministério Público recebendo, em um hotel no Rio de Janeiro, uma caixa de vinho contendo dinheiro. Segundo o próprio Leandro, quase R$ 1 milhão de reais desviados dos cofres públicos estavam na caixa e serviram para pagar fornecedores de campanha do atual governador João Azevedo (PSB). As revelações de Leandro Nunes Azevedo estão em documento assinado pelo desembargador Ricardo Vital.
Ao confirmar ter recebido a caixa de dinheiro de Michele Cardozo, secretária particular de Daniel Gomes da Silva (chefe da organização criminosa), Leandro revelou que havia nela R$ 900 mil. Disse que ficou surpreso, porque esperava ter “apenas” R$ 700 mil na caixa, como havia lhe informado a secretária de Estado Livânia Farias.
Ainda segundo depoimento de Leandro, o dinheiro teria sido utilizado para financiar a campanha do então candidato João Azevedo, hoje governador da Paraíba, num esquema que envolveu, não apenas caixa 2, mas, especialmente, utilização da propina. Foram pagos, segundo ele, vários fornecedores da campanha ainda no Rio de Janeiro.
Às autoridades, Leandro disse que após combinar com Livânia, foram pagos os fornecedores Zé Nilson (Adesivos Torres), Weber (Plastifort), Henrique (Prática Etiquetas) e Júnior (carro de som). Para alguns deles, o pagamento foi feito em dinheiro e pessoalmente. Para outros, depósito bancário realizado em agências do Banco do Brasil.
Leandro confirmou ter comprado um celular um dia antes da “operação”, habilitado o aparelho com um número de CPF que encontrou na internet e utilizado para realizar ligações estratégicas. Depois disse ter descartado numa lata de lixo do hotel onde estava hospedado.
Por fim, trecho do depoimento vazado revela que Leandro confirmou à justiça que Livânia Farias teria adquirido de um empresário conhecido como Waltão e com dinheiro da propina, um imóvel no município de Sousa, no valor de R$ 400 mil, pago em duas parcelas de R$ 200 mil, em dinheiro vivo. Livânia teria usado na operação Aparecida Estrela. E também confirmou que ele próprio adquiriu imóvel no condomínio Bosque de Intermares, usando o nome de sua mãe.
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