A Páscoa que vemos nos dias de hoje é representada por chocolates e coelhos, mas por que será que é assim? Iremos juntos explicar essa mistura entre ovo, coelho, Páscoa e Quaresma para, de uma vez por todas, dirimir quaisquer dúvidas a respeito desse tema.
A origem da Páscoa começa com tribos anglo-saxônicas (nórdicas e germânicas) que cultuavam uma entidade feminina chamada Ostera, relacionada ao início da primavera e ao fim do inverno. Essa festa era comemorada no equinócio da estação e originou a palavra inglesa Easter.
A imagem da deusa pagã é representada por uma jovem mulher no meio da natureza, cercada por animais, com um ovo na mão direita e um coelho no colo.
A pergunta que, porventura, vocês devem estar se fazendo é: Por que um coelho e não um esquilo, um pato ou uma galinha? Pois o coelho também simbolizava o degelo do inverno, já que esses animais saíam de suas tocas, como se anunciassem uma nova estação (graças a Deus não era um urso!).
Foi dessa forma que, na cultura germânica, começou a troca de ovos de galinha pintados para serem dados às crianças na festividade pagã.
Os cristãos da época tentaram evitar tais costumes, mas acabaram piorando a situação. Incluíram o coelho, juntamente com os ovos coloridos, como símbolo da Páscoa, e instituíram o jejum a qualquer tipo de carne (inclusive ovo). Sabe-se Deus o porquê dessa restrição, visto que na Bíblia sagrada não existe sequer um versículo que trate sobre o assunto de não poder comer carne ou ovos. Sem querer ser adivinho, mas isso provavelmente saiu da cabeça de algum papa que, sentado na cadeira de Pedro, pensou que era Deus e incluiu essa besteira sem fundamentação cristã.
Assim, quando chegava o Domingo Pascal, havia uma enorme quantidade de ovos estocados durante o período de jejum, e os que sobravam eram doados para os necessitados.
Finalmente, em 1830, começaram a aparecer os primeiros ovos de Páscoa feitos de chocolate, o que agradou o paladar de adultos e crianças. Em pouco tempo, virou um sucesso de vendas e impulsionou o capitalismo voraz. A tradição pagã, então, ganhou um novo elemento: o comércio de chocolates, que hoje movimenta bilhões a cada ano.
Enquanto isso, a ressurreição de Jesus Cristo ficou em segundo plano. O foco passou a ser comprar chocolates, presentear com ovos e, se sobrar um tempinho durante essa brincadeira pagã, talvez alguém se lembre do que realmente importa: Jesus ressuscitou, venceu a morte e nos deu a vida eterna. A Páscoa cristã celebra a vitória sobre o pecado e a esperança de salvação, mas infelizmente, muitas vezes, isso é ofuscado pelo consumismo.
Não há problema em presentear com chocolates ou se divertir com a figura do coelho, mas é essencial lembrar o verdadeiro significado por trás da data. A Páscoa não é apenas uma celebração da primavera ou uma desculpa para comer doces, mas a lembrança do maior milagre da história: Cristo vive!
Resumo da ópera: estamos seguindo um costume pagão baseado em uma deusa nórdica, fingindo que coelho bota ovo, fazendo abstinência de alimentos porque o chocolate é delicioso e o coelho é uma gracinha.
Termino sempre com uma frase, mas desta vez, irei me ater ao versículo de Marcos 16:6.
“Não vos assusteis; buscais a Jesus, o Nazareno, que foi crucificado; já ressuscitou, não está aqui; eis aqui o lugar onde o puseram.”
Junior Belchior



