A sabedoria popular nos adverte que temos uma boca e dois ouvidos, o que representa dizer que devemos escutar mais e falar menos. Recomenda-se, portanto, o cuidado de pensar antes de nos pronunciarmos sobre qualquer tema, para que não nos coloquemos em situação vexatória por declarações inapropriadas e irrefletidas. Isso é o que se chama “incontinência verbal”.
Pessoas tomadas pelas características da impulsividade, geralmente sofrem desse tipo de falha na personalidade. Necessitando postarem-se sempre no centro das atenções, se apressam em manifestar seus pensamentos, sem qualquer preocupação com a repercussão do que será dito. Abusam da franqueza, ainda que se mostrem totalmente desconectadas com a realidade ou se exponham em situações que beiram o ridículo.
Não se apercebem que muitas das vezes ultrapassam os limites do bom senso. Isso faz com que se arrisquem a serem levados na galhofa, motivo de piadas e zombaria. Esse comportamento se torna mais grave quando adotado por quem tem a responsabilidade de liderar, comandar, governar. A incontinência verbal não permite que se obedeça a liturgia dos cargos que ocupam, desmoralizando-a pela verborragia irresponsável. Autoridades contumazes no destempero verbal não se dão ao devido respeito.
Assim como nas relações sociais, a política também exige uma oralidade educada e sensata, comunicando-se com prudência, respeitando os que dedicam atenção aos seus pronunciamentos. Do contrário, serão confundidos com pessoas desajuizadas, despreparadas para as missões que lhes foram confiadas, levianas nas suas afirmações. Necessário se faz estarmos atentos às retóricas absurdas e disparatadas dos que são alçados a posições de chefia, seja qual for o nível de comando que estejam exercendo. Acautelarmo-nos para não tê-los como exemplos de comportamento.
Rui Leitão



