A PAVONICE

A PAVONICE – RUI LEITÃO

No mundo contemporâneo da espetacularização, indivíduos cuidam em revelar suas performances de pavonices. Adoram se fazer presentes nos palcos de encenação, iluminados pelos holofotes da publicidade. A ansiedade de exibição está em alta. São os atores da vida. A ridícula exposição da egolatria dos que se consideram semideuses.

A pavonice envenena personalidades, desfigura o caráter dos que dela fazem marcas de comportamento. Distinguem-se pela empáfia e soberba. Como um pavão, escondem os pés e apresentam as plumas, na tentativa de se tornarem atração daqueles que querem seduzir. O pavão tem um ar de nobreza quando exibe sua cauda, essas pessoas agem com a mesma intenção. Ostentam o que imaginam possa parecer admirável, esquecendo que a ave da qual se espelham tem uma cabeça pequena. Esses, portanto, querem ocultar sua incapacidade intelectual, enganando os incautos com suas aparições midiáticas.

Eles esquecem que a fama passa, o dinheiro se acaba e a beleza se esvai. Mas se alguém arriscar em apontar-lhes defeitos, torna-se inimigo. A forma doentia com que eles pensam de si mesmos é algo que incomoda os simples mortais. São, por natureza, indivíduos ignóbeis, presunçosos, aéticos. Vivem da hipocrisia de se sentirem o máximo.

Eu não tenho paciência para conviver com esse tipo de gente, nem de aplaudir os seus shows. Impressiona a necessidade que têm de se mostrarem excepcionais e se posicionarem em nível de superioridade. A todo momento se esforçam em provar de que são melhores que os outros. Por isso o desejo em se destacarem como diferentes. O segredo é não competir com eles, nem valorizar suas aparições espetaculosas.

A vaidade é irmã gêmea da ignorância e a incompetência se esconde por trás da arrogância. Os esnobes mudam de máscara conforme a ocasião e os interesses. Prefiro a companhia de quem tem sempre a mesma face, e não precisa das luzes externas para se fazer brilhante.

Rui Leitão

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