Os Estados Unidos da América vivem um estado de convulsão social causado por mais um crime com características de preconceito racial, com requintes de crueldade. A discriminação étnica por lá é histórica. Vem desde a época colonial e escravista. Não há como contestar a afirmação de que os EUA são um país que oprime o povo negro. São evidentes a brutalidade e a crueza do racismo norte-americano.
O caso George Floyd disparou uma onda de protestos em todas as cidades daquela nação. A população cansou de ver repetidos os assassinatos de pessoas negras com abordagem violenta da polícia. O povo está nas ruas reagindo, num movimento por direitos civis que alimenta uma consciência política fortalecendo a ideologia da democracia racial. O espaço público de convivência social não pode ser segregacionista.
A chama de rebelião acesa nos Estados Unidos se propaga por todos os recantos do mundo. E nem poderia ser diferente. O racismo institucional é presença em todos os recantos do planeta. Não há igualdade de direitos, renda e oportunidades a determinadas pessoas por conta de sua cor. O preconceito pode até ser inconsciente, mas explicitamente coloca indivíduos em situação de desigualdade por questões raciais.
As políticas antirracismo precisam ser universalizadas. Ao Estado cabe a responsabilidade de combater as desigualdades. Como não enxergar os efeitos do preconceito racial na realidade social do Brasil, apesar de sermos uma nação mestiça? As relações étnico-raciais em nosso país são desconformes, em flagrante prejuízo da população negra. Continuamos, persistentemente, demandando ações governamentais contra a discriminação racial. E o que dizer quando temos um presidente da república que encara essa situação com desdém? As forças consagradas da sociedade estimulam as políticas institucionalmente racistas.
É cada vez mais necessário que se potencialize o debate público sobre a questão racial e como o poder público deve desenvolver atividades efetivas de desconstrução do racismo. O controle político da saúde e da vitalidade nacional, não pode prescindir da participação da população negra, por seu potencial intelectual, físico e de consciência cidadã, na identidade do nosso valor patriótico. Eles são maioria, portanto indispensáveis na construção de nossa nacionalidade.
A vulnerabilidade imposta pelo racismo institucional define uma postura irresponsável da elite governante que despreza o princípio da igualdade social, que está, inclusive, determinada em nossa Carta Magna. É urgente rompermos com essa configuração histórica que enodoa nossa cultura social, atacando a noção de cidadania ativa. Somos, inegavelmente, um país racista. Daí porque precisamos enfrentar com coragem essa realidade que macula nossa história no que diz respeito à necessidade de tratarmos em condições de igualdade todos os brasileiros, sem que façamos diferença de raça, credo, condição social ou intelectual. Concluo declarando que os racistas são vândalos, só que ao invés de destruírem patrimônio público, destroem pessoas.






