POVO OU MASSA? – Nem sempre percebemos a diferença entre “ser massa” e “ser povo”. A massa é anônima, manipulável, vulnerável. O povo tem identidade, consciência de sua cidadania. A massa costuma obedecer sem questionar, não tem domínio de suas vontades, fica na espera de quem a conduza. O povo reage, protesta, não se submete ao arbítrio, ao simples poder de mando. O povo raciocina, a massa não.
Há uma manifestação do Papa Pio XII que distingue bem o que seja massa e o que seja povo: “O povo vive e se move com vida própria – A massa é por si mesma inerte, e não pode receber movimento senão de fora. O povo vive da plenitude da vida dos homens que o compõem, cada um dos quais em seu próprio posto e à sua maneira, é pessoa consciente de suas próprias responsabilidades e suas próprias convicções. A massa pelo contrário espera impulso de fora”.
Na massa não existe ideal de liberdade e igualdade. Se torna joguete fácil nas mãos de exploradores. Por isso, se torna inimiga da democracia. Age movida por instintos e impressões, nunca por avaliações críticas da realidade. Os indivíduos que compõem a massa não têm a preocupação em alcançar a autonomia no pensar e no agir. São facilmente influenciados pelos demagogos e propagandistas.
POVO OU MASSA?
Não falta razão, portanto, para que os marqueteiros sejam os profissionais mais importantes numa eleição. Porque são especialistas em persuadir, manobrar, elaborar uma opinião pública que atenda suas ambições. A massa é presa das emoções, dos medos, da acomodação, dos sectários, onde as opiniões se perdem na ilusão de que deve prevalecer o pensamento de uma falsa maioria estrategicamente construída.
O povo é uma concepção unitária. Tomás de Aquino afirmava que: “povo não é qualquer reunião de homens de qualquer modo, mas é a reunião de uma multidão ao redor do consenso do direito e dos interesses comuns”. O povo é formado por cidadãos ativos, com visão própria do seu país e de suas necessidades. O povo consegue distinguir o que seja política e o que seja politicagem. Rejeita o fisiologismo, a unilateralidade, a parcialidade, a má fé, o suborno e o tráfico de influência. Muitas das decisões são tomadas, no entanto, por impulso comportamental das massas, descomprometidas com a verdade, com a justiça social, com a integridade, com a governabilidade e o bem estar social. O povo, então, se torna refém de um projeto político distante dos seus interesses, fazendo triunfar a vontade de uma massa conduzida por agentes externos, que só algum tempo depois, percebe que “deu um tiro no pé”.






